Dívida pública está nos 120% do PIB



A dívida pública do país "passou de 40% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2013 para cerca de 120% agora, e isso é assustador", disse ontem, Rogério Zandamela, governador do Banco Central de Moçambique.
Segundo a agência Lusa, respondendo a perguntas da audiência durante um debate na conferência Horasis Global Meeting, que decorre até terça-feira em Cascais, perto de Lisboa, Rogério Zandamela acrescentou que "parte dessa dívida é da dívida não divulgada, que é um montante enorme".

Rogério Zandamela mostrou-se, no entanto, confiante na capacidade do país em ultrapassar a crise económica, orçamental e financeira em que está mergulhado, mas não escondeu que há muitos desafios pela frente.

"Somos um dos países mais abençoados do mundo (em termos de recursos naturais), mas precisamos de um modelo de desenvolvimento que melhore a vida das pessoas e também os indicadores económicos", argumentou o governador, considerando que as altas taxas de crescimento, na ordem dos 8% anuais, distorcem a realidade do país.

O responsável sublinhou que "o Investimento Directo Estrangeiro é bom e é uma bênção para o país", mas tem o problema de "ser concentrado nas minas, no carvão e no gás", enquanto "no resto dos sectores não se passa nada".

Como exemplo, apontou a agricultura.

"O sector está dormente, apesar do enorme potencial que tem. A esmagadora maioria da agricultura que se pratica é de subsistência, o sector está completamente subdesenvolvido, há muito pouco para o agronegócio que se vê no Brasil e na América Latina, e parte disso acontece por causa das regras de investimento. A lei favorece os grandes investimentos, mas tenta-se fazer um pequeno negócio e não se vai a lado nenhum", disse Rogério Zandamela.

O governador, que chegou atrasado à sessão matinal da conferência por causa dos problemas nos aeroportos de Londres, acabou por concentrar as perguntas da assistência, e foi numa dessas respostas que explicou: "O crescimento de 7% ou 8% ao ano faz grandes manchetes na imprensa internacional, mas olhando para o que realmente interessa, que são os cidadãos, nós não estamos bem, e as políticas macroeconómicas também não são saudáveis".

Moçambique, lembrou, acumula défices orçamentais ano após ano, e respalda-se no Investimento Directo Estrangeiro e nos doadores internacionais.

"Se este é modelo de desenvolvimento que vamos continuar a ter, então vamos ter problemas. Vamos ter muito dinheiro, mas vamos continuar pobres, porque a maioria da população não tem emprego nem há hospitais", exemplificou o governador, que admitiu que por ter estado 40 anos fora do país se sente como "um ‘outsider’ a viver em casa".
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